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O Pincel ataca de novo !
The Brush strikes again (O Pincel ataca de novo ) é o retomar da colecção Art on White iniciada em 2006 e agora surgindo numa refrescante e nova versão de 2007,uma premonição de futuros trabalhos
do artista,naturalmente uns mais felizes do que outros como não podia deixar de ser.Longe ainda está o separar o trigo do joio para aquilo que
inevitavelmente um dia será o Best Of 2007.
A colecção Art on White 2006 de António Pessoa teve o aplauso do público,dos criticos de arte e de alguns galeristas os quais um a um foram considerando Art on White como uma das melhores séries deste artista plástico desde o celebérrimo Black and White album 1997-1998.
Talvez a mais relevante diferença é o facto de António Pessoa hoje em dia parecer ter-se livrado de algumas demasiado obvias influências que
dez anos atrás o bombardeavam incessantemente no exercicio plástico e até no pensamento.
Talvez o interregno de 2005 tenha sido afinal de contas o tempo de reflexão necessário a um corte drástico com os fantasmas do passado,ou talvez simplesmente o nascimento de uma nova filosofia de vida dando lugar a uma nova perspectiva plástica e consequentemente a uma nova linha estética.
António Pessoa em 2006 surpreendendo todos e mais ninguém surge mais além do conceito average contemporâneo com The NEW ERA .
A chuva de boas e más criticas não se fez esperar.A predominância de um positivismo geral falou por si mesma e The NEW ERA foi recebida com entusiasmo e alegria,sem grande espalhafato nem levantar muita polémica.
Para polémico já temos o artista,bem mais controverso que as suas próprias criações artisticas.Este é o boca-a-boca e é realmente verdade.
A minha humilde opinião como critico e professor de pintura e História de Arte,pode até eventualmente ser talvez a mais objectiva,dado que a minha relação com o artista é coisa recente,ao contrário de Luis Santiago,Vicente Fernández Lago,Pierre Fontanals,Nancy Igartiburu e naturalmente Jacob Kotsky,que são colaboradores e amigos intimos de António Pessoa ,já de longa data.
A minha análise,a qual confere-me o direito de me manifestar segundo o modelo em vigor de livre expressão,leva-me a concluir uma infindável
teia de contradições tanto na vida como na obra do artista.
E a conclusão à qual eu chego é que com António Pessoa há que forçosamente separar o trigo do joio e o homem do artista.
De uma modo geral considero que a obra de Pessoa é excelente,não pretendendo com isto dizer que penso que tudo o que ele dá à luz é bom.
Estou plenamente convencido de que o próprio artista tem nitida consciência deste eventual desnivel de qualidade,coisa que segundo me consta não parece consistir numa preocupação para o próprio mas sim uma realidade inevitável a uma sempre contínua mega-produção,o que é o caso.
A extenuante salgalhada de influências que marcam a Época Romântica de António Pessoa,1997-2002,onde modelos como Francis Bacon,Georg Baselitz,Pablo Picasso,Henry Matisse,Paul Cadmus,Alberto Giacometti,Vieira da Silva,Frank Stella,Miró,Andy Warhol e até mesmo Salvador Dali...parecem ter sido arrumadas,empacotadas e enviadas por correio para o reino do esquecimento.
António Pessoa, milagrosamente surge com The NEW ERA em 2006 mais do que nunca igual a si próprio.
Obras como August Storm,The Brain e Contemporary Plus,entre outras,marcam a diferença,acentuam um certo minimalismo e estudada simplicidade conceptual,deixando claro um apuradissimo critério de qualidade e ao mesmo tempo conservando a riqueza das cores e das formas da mais bela tradição das Belas Artes.
Rafael Medina
Ladies Night
António Pessoa - 2000
Uma vez mais,António Pessoa resolve dar um ar da sua graça e muito em particular das loucas noites de Vigo.
A Época Romántica reflecte a vivência urbana de uma cidade em pleno apogeu da "Movida" espanhola onde tabus e preconceitos são minimizados
por uma nova mentalidade da juventude de Espanha.
Escusado será dizer que a Época Romântica não deve o nome que tem por simple acaso.Efectivamente António Pessoa durante estes cinco anos pinta
durante as tardes e à noite perde-se no turbilhão de boémia,bares e discotecas e inserido num amplo circulo de amigos dentro do qual a bisexualidade é encarada como a coisa mais natural do mundo.
Pode-se afirmar que António Pessoa entre 1997 e 2002,pinta de Vigo para o Mundo,emocionalmente inspirado e estimulado por uma cidade que nunca dorme e onde o artista facilmente encontra a melhor alternativa à cidade do Porto já por então começando a dar tristes sinais de apatia,facto que infelizmente se foi agravando até aos dias de hoje.
Neste esplêndido Ladies Night,acrilico sobre tela de 1999,António Pessoa projecta uma visão moderada de puro lesbianismo.Uma obra que decididamente não pretende provocar mas sim atenuar e muito particularmente defender o direito à diferença.
António Pessoa prova que é possivel abordar todos os temas sem cair na vulgaridade obscena,pelo contrário elevar esta e cada temática a um expoente de máximo requinte,elegância e estética graciosa.
É com esta atitude blasé e jovial,que afinal de contas toda a feliz Época Romántica se desenvolve,pelas mãos e Know How de um artista absolutamente afinado na sua conduta de comunicação através da arte e muito particularmente
com a sempre presente noção de servir o público sem o ferir!
Veronica Amaral
pintor Barreiro pintando un gaiteiro
António Pessoa . 1998
António Pessoa em 1998 rende-se à evidência da pintura galega,decididamente não com a atitude de impotente resignação mas sim com uma saudável e lúdica postura de adaptação.
Apesar da modernidade e da efervescente vida nocturna de Vigo e de toda a Galiza urbana,por assim dizer,no campo das artes plásticas verifica-se uma teimosa apetência por uma linha muito paralela às
primeiras vanguardas do século vinte,coexistindo com uma abordagem temática tipicamente galega.
Artistas consagrados no noroeste de Espanha como Laxeiro e muito particularmente Jaime Quessada,apesar de alto nível técnico,seguem uma estética vincadamente picassiana.Pepe Barreiro,não foge à regra
e nem demonstra vestigios de que esse facto represente para ele nem para o seu público local,grande motivo de preocupação.
António Pessoa dedica-lhe este óleo sobre tela,criando um interessante jogo de contrastes algo caricatos,entre a pintura de Barreiro,a cultura plástica galega,o próprio personagem e obviamente o estilo inconfundivel
de Pablo Picasso.
Luis Santiago
Todo lo que imaginas es poco
António Pessoa . 1998
"Todo lo que imaginas es poco",cujo título penso que dispensa tradução,é talvez o paradigma de uma fusão de estilos e modelos que
no ano de 1998 de alguma forma inundavam a noção conceptual de um artista subconscientemente tentando organizar todo um leque de influências num só Todo.
António Pessoa a partir de 1997,altura em que deixa a cidade do Porto para se instalar em Vigo,é violentamente confrontado com a pintura galega que lhe parece não só pueril como tematicamente centrada numa cultura a qual não parece oferecer muitas portas abertas para novas invenções e de um público pouco receptivo aquilo que por então se poderia entender por Últimas Tendências ou muito simplesmente arte contemporânea.
Apesar de tudo,como é sabido,o artista luso en terras galegas ao longo dos anos que se seguem consegue de uma forma notável projectar sobre
tela uma nova visão da Plástica Gallega,o que lhe concede com relativa facilidade uma entrada sem grandes obstáculos no mercado do norte
de Espanha.
No entanto este artista português na Galiza sabe de antemão que o seu futuro de pensamento artistico e criativo vai ter mais tarde ou mais cedo que abrir asas e voar rumo a outros hemisférios de comunicação plástica.
E é precisamente nesta dimensão de discernimento,que António Pessoa opta sabiamente por conservar as suas reservas de modelo e inspiração,não só intactas como também,justamente,em plena evolução.
Apesar do panorama geral da arte na Galiza,António Pessoa sustenta uma genuina admiração por alguns Mestres galegos,como Jaime Quessada,Rafael Alonso,Laxeiro,Vidal Souto e até Pepe Barreiro.
Não obstante os seus planos para o presente e para o futuro englobam forçosamente outros valores de expressão plástica,tanto dos Mestres
das primeiras vanguardas do século vinte,como Matisse,MarcChagall,GeorgesBraque,Tanguy,Picasso,Juan Gris,Kandinsky,Paul Cadmus e Miró;como inevitavelmente e sempre Maria Helena Vieira da Silva,Andy Warhol,Francis Bacon,Frank Stella,Jackson Pollock,Fernando Botero.
É pois nesta atmosfera macroclimática de modelos e influências que se vai desenvolver toda a Época Romântica,até 2002,ano em que Pessoa se instala em Barcelona para uma nova aventura artistica,social,emocional
e decididamente internacional.
Luis Santiago
La velada del marinaje António Pessoa,1997 - Black and White album
Na retrospectiva necessária e especificamente na análise da Época
Romântica de António Pessoa,nunca é demais salientar a importância
do Black and White album,uma coleção de desenhos realizada entre 1997 e 1998,editada em catálogo em 1999.
Nunca antes nem nunca depois o artista se presta a demonstrar os seus dons como desenhador por excelência,como nestes dois anos durante os
quais consegue a proeza de concluir cerca de 800 trabalhos de carvão e grafite sobre papel.
Ainda que o resultado total tenha sido de uma polivalência camaleónica
a congruência subsiste muito mais no estilo do que obviamente na temática,a qual dispara continua e sucessivamente através de um
universo de múltiples abordagens.
Considerada pela grande maioria dos criticos como talvez a fase de
mais qualidade de pura expressão artistica de toda a Época Romântica,
o The Black and White album ilustra os recônditos mais controversos do artista,através de uma navegação introspectiva como analitica a qual
vai conduzindo o trabalho até situações tão eclécticas quanto a então
irrequieta curiosidade,espirito provocador e até um bem visivel e bem
afinado sentido do caricato e do ridiculo do artista ,podiam de facto
conceber.
E um bom exemplo desta tese é este "La velada del marinaje",um
quadro de leitura subjectiva suscitando de imediato um raciocinio abstracto,apesar de veia nitidamente figurativa,não se chega a entender muito bem a situação pretendida.
Contudo o homo-erotismo aqui bem patente leva-nos a deduzir uma
existência de uma certa denúncia,ainda que sem julgamentos de valor,de
uma realidade bastante frequente entre seres do mesmo sexo quando condicionados a uma situação de isolamento prolongado e naturalmente desprovido da presença de elementos do sexo femenino.
Muito ao contrário de Pablo Picasso,Salvador Dali e até da genial portuguêsa,Paula Rêgo, a abordagem que António Pessoa faz ao erotismo ao longo de toda a sua obra é meramente passageira,algo camuflada
e essencialmente ligeira.
No entanto,particularmente no The Black and White album existem um
bom número de registros de teor cruamente erótico,ainda que dispersos
e decididamente sem obedecer nem implicar qualquer tipo de obsessão.
"La velada del marinaje" é talvez das obras do album que pode conter
uma linguagem plástica especialmente crua ainda que extremamente caricata.
Luis Santiago
Andalucia - António Pessoa,1997
Já com bastante experiência no país vizinho,é contudo a partir de 1997
que António Pessoa começa a sua carreira e a divulgação da sua obra em Espanha.
Apesar de viver em Vigo,viaja frequentemente por toda a Peninsula,
dedicando este óleo sobre tela a uma das suas regiões favoritas.
Andaluzia.
O seu gosto e admiração pela Festa Brava faz-se notar com bastante frequência em muitos dos seus trabalhos dos anos noventa.
Apesar da crueldade do tema,António Pessoa tem o pudor e a elegância
de tratar a Tauromaquia sem a vital necessidade de uma abordagem
demasiado realista,que é como quem diz,sanguinária.
O resultado visual é então mais emblemático que propriamente vil e
contundente o que nos leva a concluir que o artista apenas pretende
um pensamento meramente cultural ou até turistico,contrariamente à
abordagem que Pablo Picasso durante toda a sua vida e obra fez da
Tauromaquia,que como é sobejamente do conhecimento universal,era fruto de uma verdadeira "aficción",para não dizer obsessão.
Neste Andalucia,1997,António Pessoa consegue o movimento e o
momento de uma tourada tipicamente espanhola,através de um curioso e
original projecto de imagem dupla
É de salientar o facto de que o pintor em 1997 acabava de concluir uma das suas épocas pictóricas de inspiração mais contemporânea.
Convém referir que ao deixar Portugal para residir em Espanha,a partir de 1997,António Pessoa é apanhado de surpresa,primeiro com a pintura galega,depois com a pintura espanhola em geral,muito particularmente
com as obras dos mestres do século vinte.
Estas interferências provam ter exercido uma influência quase radical na
linha da sua obra.Oficialmente,em 1997 ao passar a viver em Espanha,
António Pessoa dá inicio à sua polivalente e super-produtiva Época
Romântica,1997-2002.
Veronica Amaral
the Get Away - António Pessoa 2004
Marcadamente influenciado por Maria Helena Vieira da Silva,António
Pessoa explora o tema Metropolis a partir dos primeiros anos da década
de noventa.
Por então trabalhando com a Galeria de Arte Almacem de Alfredo Moreira e para enorme surpresa do artista todas as obras inspiradas nesta temática são vendidas do dia para a noite,facto que logicamente leva o galerista Alfredo Moreira a entusiasmar António Pessoa no sentido de ampliar e desenvolver mais obra dentro desta linha,desejo que o artista naturalmente concede de bom grado e grande energia criativa e laboral.
Com o passar dos anos António Pessoa inevitavelmente vai perdendo
os vestigios das influências de Vieira da Silva,cujo resultado visual se
vai tornando e desenvolvendo dentro e mais além de uma linha estética pode-se dizer que inovadora.
Com a sua longa passagem por Vigo e Espanha total,o artista vai deixando gradualmente de lado este modelo que tanto lhe agrada,optando por outras expressões plásticas com bastante mais potencial comunicativo dentro do seio do público espanhol.
Contudo,em Barcelona,finais de 2003 o artista decide uma vez mais retomar este fascinante mundo de panorâmicas urbanas,quer seguindo uma veia hiper-realista,quer optando por um certo abstracionismo.
The Get Away ,António Pessoa,Barcelona 2004,é um óleo sobre tela
de fortes contrastes visuais e cunhado por esse rigoroso,ainda que espontâneo,traço de exímio desenhador característico do pintor,
coexistindo com uma privilegiada liberdade de expressão plástica e uma
vitalidade de movimento e action painting notáveis.
Veronica Amaral
Bright Changes . António Pessoa 2004
- Picasso pintando Dora Maar - (técnica mista )
Bright Changes,António Pessoa,Barcelona 2004,é o retomar da colecção
Picasso painting Dora Maar.
O artista uma vez mais debruça-se nos amores e desamores do maior fenómeno das artes do século vinte,Pablo Picasso e a sua estranha e perversa relação com a pintora e fotógrafa Dora Maar.
Um curioso trabalho de técnica mista onde Dora Maar aparece nesta obra
sem o usual toque de sofrimento com que Picasso nos tempos em que a pintou
a retratava,chegando ao ponto de desarticular as formas fazendo-a parecer
pouco menos que um monstro.
Neste quadro,António Pessoa,muito possivelmente resolve atenuar a tensão,
concedendo-lhe um ar quase angelical.
Talvez por isso o titulo seja o mais adequado,proporcional aos tons suaves e pasteis pelos que o artista decide optar.
Um trabalho generoso de António Pessoa no contexto febril de uma colecção
abordando uma das mais controversas relações da vida de Picasso.
Veronica Amaral
www . antoniopessoa . final
António Pessoa,uma personalidade estranha e imprevisivel,tanto na obra como na vida pessoal,engana o público,os colaboradores e até os amigos intimos,sem querer e sem se aperceber de que a organização que ele próprio ajudou a criar,depende a todo o momento e a cada instante do seu bioritmo,da sua persistente vontade e como não há bela sem senão,
igualmente da sua frequente oscilação de humor e até do sentido da sua própria vida.
Não pretendendo eu abusar do cliché de que os artistas são todos gente dificil,convém desde já salientar que António Pessoa decididamente não é nem penso que algum dia venha a ser, a excepção que foge à regra.
Se lhe atribuimos e com determinante razão as muitas qualidades que
tem e que sistematicamente prova que tem,é de nossa e neste caso de minha justiça pelo menos de vez em quando tentar que o artista seja oportunamente mencionado para dar a mão à palmatória.
Começo a suspeitar de que o conceito e toda a alma de Home Studio é
acima de tudo o grande pretexto que António Pessoa subconscientemente concebeu para fugir às responsabilidades,e de uma
forma muito razoavelmente particular aqui neste caso especifico,tendo em
conta o leque de colaboradores e profissionais que dependem do estado de espirito do menino e de algumas atitudes absolutamente caprichosas
que realmente sustentam a teoria de que ninguém é perfeito e muito menos António Pessoa,que eu abraço e admiro,porém não posso deixar que algumas verdades venham à superficie e até faço questão de que isso aconteça.
Todos sabemos de que há dias e dias como também se diz que um dia não é dia,porém quando os dias se seguem como dias em que pensamos
que é hora de avançar,António Pessoa recolhe-se no seu Paraiso extra-terrestre e não dando luz verde para adiar também não demonstra grande
urgência em dar luz verde para que o projecto Worldwide comece a dar
sinais de movimento,já para não falar de Feedback.
Uma equação humana feita à medida do Renascimento?Penso que não seja para tanto.Contudo uma equação metafisica às vezes bastante complicada de desvendar,talento misturado com preguiça,uma capacidade laboral coexistindo com uma indole sedentária de fazer roer as unhas e bradar aos céus.
O capitulo mais ou menos compreensivel de toda esta equação de boas razões e muitas contradições,deve-se ao facto de António Pessoa desde já hà uns anos a esta data,ter vindo claramente a manifestar o tédio que
lhe provocam as grandes urbes como também os lentos protocolos das galerias de arte.É natural e até perdoável que o artista ciclicamente opte
por uma letargia semi-tropical,levantando-se a meio da tarde para um lanche que afinal é o pequeno almoço,um pouco de trabalho,enfim,um esboço...que mesmo desenho "à la minute" temos forçosamente de
admitir que o talento está patente mesmo num bocejante sarrabisco de
efémera inspiração do momento,um banho de sol de dez minutos e uma
noite de espontânea satisfação dos desejos...
Worldwide-Antonio Pessoa pode esperar,ao artista pelos vistos que
grande diferença lhe faz,a raposa velha parece já não alimentar ilusões
inspiradas em fama e popularidade.Conhece-lhe os truques e os contra golpes,a pressão,a má lingua,a tensão e o pior de tudo a incómoda responsabilidade de ter de deslocar-se,o ruido,a confusão e as longas
esperas e momentos mortos.
O lado pouco atraente e muito pouco social de um artista instalado no
seu próprio conceito de estilo de vida.Mas António Pessoa,apesar de tudo
grande respeitador da liberdade de expressão,sabe perfeitamente que
todos os seus actos são prematuramente avaliados pelos seus amigos e colaboradores,muitissimo mais que a sua obra que parece agradar a todos...as suas oscilações emocionais deixam muito a desejar e sobretudo quando existe um dificil e ambicioso projecto para levar a cabo,
um projecto afinal de contas de sua inteira responsabilidade.
Ponto e virgula,
www. antoniopessoa.final felizmente não acontece todos os dias,ainda que estas ciclicas bonanças de temperatura emocional muito frequentemente arrastam-se durante semanas,quando tudo parece entrar
num estado de doce e suave apatia geral como a suave brisa de Ibiza ou
Barcelona outonal.
Agora digo eu quase que em jeito de troça,quem sabe quando venha a Lua Cheia,Worldwide- Antonio Pessoa retome a sua energia inicial.
Uma coisa é mais que certa,António Pessoa não é menino para fugir com o rabo à seringa e esta teoria está mais que comprovada.Há dias e dias e ponto final.Worldwide-Antonio Pessoa é um motor turbo que não
tem a opção de fazer marcha atrás.Resignadamente há que admitir que há dias em que com o artista temos que ser pacientes,já que a sua força vital
consagrou-se com tal credibilidade a tal ponto em que todos estamos seguros e conscientes de que tudo se resume a um imprevisivel e
artistico fluxo emocional.
Não pintando tão intensa e freneticamente como nos anos noventa,não com aquele sentido militante de cortar a respiração,como nos relata
Vicente Fernández,Jacob Kotsky e David Santos,e que deu origem a uma
monumental colecção de óleos sobre tela,acrilicos,aguarelas,técnicas mistas e desenhos,hoje conecida como a Época Romântica...António
Pessoa no entanto, hoje compensa esta drástica diferença numérica de produção,com um outro "savoir-faire" técnico e puramente conceptual,
o selo e a marca da New Era,a possibilidade ainda não esgotada depois
da exaustiva epopeia plástica dos anos noventa.
Por conseguinte é justamente mais que natural que o seu ritmo emocional tenha sofrido relevantes alterações e logicamente o seu comportamento privado e social também por igual.O Ponto Final é por
assim dizer um registro meramente passageiro já que parece que todos sabemos de antemão que este artista português,vivendo em Espanha
ou onde quer que esteja em algum devido momento;e que prova e comprova sistemática e quotidianamente um inovador e avançado conceito visual de pura literatura plástica,na qual acaba por tornar-se objectivamente palpável uma visão erudita do mundo em que vivemos,
independentemente do quase malicioso toque de pueril infantilidade que
mais do que comover,atenua aquela que às vezes acaba por ser uma realidade demasiado dura para assimilar.
Ponto Final !
Luis Santiago
ARTE - António Pessoa - ARTE !
Arte,Antonio Pessoa - Arte é um conceito absolutamente português,
visando uma nova aposta do artista em território nacional,com uma
linguagem e expressão adequadas às nossas gentes,sem pretender entrar em pretenciosismos de pseudo-erudição,mas pelo contrário fazer chegar a arte e o artista preferivelmente a uma vasta camada da população.Estamos aqui com essa atitude apoiada pelo próprio artista,
o qual precisamente acredita que é tempo de mudar um pouco as coisas ( para melhor!),no sentido de partilhar uma forma de literatura visual tão bela como as Belas Artes e quase tão bela como o belo país que é Portugal.
Comentava recentemente Pierre Fontanals num artigo sobre António Pessoa para o Xornal Galicia,o estigma de Portugal viver ainda numa atmosfera terceiro mundista,referindo-se ao facto de só abraçar os seus valores ou a titulo póstumo ou quando depois de triunfarem no estrangeiro e chegados a uma idade avançada receberem por fim (que remédio) o reconhecimento atrasado do país que os viu nascer.
Pensem o que quiserem,especialmente aqueles que pouco se aventuram no país vizinho,seja em trabalho ou lazer,mas o certo é que estas piadinhas subtis aos espanhois "les encanta!".
Pierre Fontanals,aliás um bom rapaz e grande amigo nosso,pense ele o que quiser.Verdade seja dita aqui estamos nós para pelo menos tentar virar tudo ao contrário.António Pessoa é nosso,pertence-nos e tudo o que estiver ao nosso alcance,não pouparemos esforços em estabelecer uma relação desde hà dez longos anos em Stand By.
Por estas e por outras, Arte - António Pessoa - Arte, tem como objectivo primordial aproximar o artista de Portugal e vice-versa.
Se para Vicente Fernández Lago, administrador da Obra do artista na Galiza e Portugal,tanto se lhe dá como se lhe deu esta situação de "nem de mãos dadas nem de costas viradas",para Luis Santiago o caso muda de figura,já que independentemente do facto de ser amigo intimo e colaborador de António Pessoa,vive em Barcelona hà mais de trinta anos
e é com especial orgulho que testemunhou e testemunha a crescente reputação e cotação internacional do artista,concluindo sem o minimo vestigio de mania das grandezas que António Pessoa é um dos grandes embaixadores de Portugal no mundo da arte contemporânea.
António Pessoa,para o qual esta triste "irrealidade!!" parece,enfim,
coisa de pouca monta,de certeza não perdendo sequer uma hora de sono por esta causa sem causa,contenta-se e até se poderia dizer que se dá por satisfeito com a atenção global que o seu trabalho vai despertando,
dando-lhe até,a bem dizer,um certo prazer em poder gozar de um quase total anonimato sempre que visita Portugal.
Para Don Vicente Fernández Lago,as razões que vão alimentando esta balsâmica indiferença são mais que lógicas,pois , verdade seja dita e publicada,realiza-se bem mais comercialmente com a Obra do artista português em Espanha do que no Reino de Sócrates!
CarvalhoPintodeSousaLand!
Arte - António Pessoa - Arte, é um projecto de tranquila comunicação,no
idioma de Camões,apenas um projecto,não uma revolução.Os portuguêses decididamente que o merecem,justamente agora em que tão na moda está essa coisa dos Grandes Portuguêses.E falando no Diabo,uma coisa do arco-da-velha,já que Maria João Pires ficou nos últimos dos cem e o António Oliveira...bem mais à frente,e escandalizado ficou o Dr. Mário Soares.E esta,hein?Cá por mim,com certa razão.
E a questão fica no ar!Será que os portuguêses sentem desesperadamente a falta de Grandes Portuguêses ou será que os Grandes Portuguêses sentem a falta de Portugal?
Arte - António Pessoa - Arte tenta de alguma forma contribuir para a
eliminação deste lapso,ainda de todo não crónico ,porém roçando a
tragico-comédia.Luis Santiago(Barcelona),Rafael Medina (Lisboa-Madrid),
Veronica Amaral (Lisboa),Gabriela Hoffman(Estoril) e eu própria,por agora
constituimos o Todo desta transpiração de pura carolice,ainda que
muito generosamente António Pessoa nos continue decorando as paredes de nossas casas com o que ele melhor sabe fazer.Pintura!
E efectivamente é a pintura de António Pessoa que tencionamos divulgar ao público português um tanto ou quanto adormecido com papas de sarrabulho e "Morangos com Açucar"!!!A ideia de Luis Santiago deu-nos um entusiasmo que sem sabermos nos faltava.
Merecemos finalmente uma referência cultural com pés e cabeça e
decididamente pernas para andar.
Arte - António Pessoa - Arte,acaba por reunir cinco pensamentos num só discernimento.Uma equipa consciente de que algo de muito importante
no seio da arte contemporânea se está a passar.Um algo muito artistico,
genial e muito português,o inventor de si mesmo e agora que já não restam dúvidas, o inventor da Nova Era !
Anabela Tavares
TODOS ESTES 10 ANOS !
Mais uma vez,depois de dois anos,Hotel Albergaria Don Manuel abre as
suas portas ao público galego e do norte de Portugal para outra retrospectiva da Obra de António Pessoa.
Ao que parece segundo fontes fidedignas muitas outras exposições do artista luso estão previstas aqui mesmo no jardim à beira-mar plantado.
Justamente a Obra que por estas terras galaico-portuguêsas foi aqui
executada pela inspiração e mãos do artista,parece que por cá fica ,pelo
menos na sua esmagadora maioria.No periodo de Vigo,1997-2002 , mais de 3.000 óleos sobre tela nasceram para a eternidade no estudio de António Pessoa,para não falar das centenas de aguarelas,técnicas mistas
e acrílicos sobre papel.Conveniente também é não esquecer que o
controverso album Black and White foi concebido e editado no espaço destes super-produtivos anos.
Após uma época de relevante trabalho do autor nos primeiros anos da década de 90,estimulada e comercializada por Alfredo Moreira enquanto
António Pessoa viveu no Porto ; Vigo,Galiza,Espanha recebe de braços abertos um artista português até à data desconhecido em terras do Finisterre.Vigo será,durante cinco divertidos anos de intensa fertilidade artística,a cidade onde Antonio Pessoa vive e trabalha e se apaixona pela terra e pelas suas gentes,inclusive acabando por contrair matrimónio com uma espanhola.
António Pessoa acaba por tornar-se no artista luso mais conhecido em terras galegas de todos os tempos.Hoje em dia nem mesmo Vieira da Silva
parece gozar de tanta popularidade.
Numa terra de boa gente,mas onde os portuguêses até hà pouco tempo eram olhados de soslaio,António Pessoa consegue a proeza das proezas
tornando-se decididamente num excelente embaixador de Portugal.
Porém,o artista desde muito jovem habituado aos pros e contras de se ser estrangeiro (...e português!) em vários paises europeus,nomeadamente em Amsterdam e Londres onde viveu durante seis anos...em terras galegas não se deixa ficar pela simples visita,mas sim acaba por ser aceite como património cultural da velha Galiza.
Lorenzo Quinn,filho do mesmíssimo Anthony Quinn,em finais dos anos
90 na noite da inauguração de uma exposição de esculturas de sua autoria,nada mais nada menos que no prestigioso Club Financiero de Vigo
conhece António Pessoa e incute-lhe,por assim dizer,um bichinho
chamado Barcelona.
O artista luso ainda solteiro e depois já casado faz diversas viajens à
cidade Condal,BCN,Sitges e Castell Defels,acabando por instalar-se em Barcelona em meados de 2002.
Aqui começa uma nova etapa da sua vida e muito particularmente a sua expansão na Europa e Estados Unidos.Vicente Fernández Lago,Luis Santiago,Nancy Igartiburu,Jacob Kotsky e Pierre Fontanals (entre outros)
acompanham-no nesta dificil mas fascinante aventura.
Brigitte Lucas e Agnès Teixidó colaboram com o projecto de António Pessoa em Barcelona e David Leonardis em Chicago.2004 é um ano decisivo na carreira do artista na medida em que por uma serie de
merecidas e devidas circunstâncias é catapultado para uma nova escala de valor e reconhecimento ibérico e internacional.
Talvez para desanuviar do reboliço da grande metropolis, António Pessoa em 2005 consegue uma autêntica pechincha e compra uma casa-estudio em Santa Eulalia,Ibiza,aquilo a que o artista não tardaria em chamar Home Studio.Home Studio-António Pessoa tem-se tornado quase numa lenda,como se de uma marca se tratasse,mas essencialmente o retiro paradisiaco de um homem que adora o mar,sol e natureza.
Tirando partido da situação,Pierre Fontanals,Luis Santiago e o erudito
Mr.Jacob Kotsky aproveitam a ideia do Home Studio para criarem um
espelho mediático da verdadeira alma do artista.
A partir de 2005 Antonio Pessoa regressa a Portugal e Galiza com certa assiduidade,no entanto sempre de maleta na mão e mais o seu habitual ar de resignação de um homem que no fundo o que mais lhe apraz e o faz realmente feliz é sem tirar nem pôr o velho critério de amigos amigos,
negócios aparte,profissão muito bem,mas paz e sossêgo.
Enquanto Vicente Fernández Lago e os seus colaboradores locais preparam uma serie de exposições em Portugal e Galiza,2007,Antonio Pessoa faz os últimos preparativos para mais uma vez enfrentar o seu grande amor e a sua grande dôr de cabeça.Nova Iorque!
Home Studio em Ibiza fica à espera do regresso do dono da casa,sem dúvida uma promessa de mais uma longa temporada de invenção,trabalho e Obra no seguimento da sua nova linha pós-contemporânea,The New Era.
E ainda teimam alguns em dizer que já está tudo inventado?
Anabela Tavares
António Pessoa - Contemporary Plus
O artista luso António Pessoa,a partir de 2006 que sem dúvida parece abdicar das suas velhas influências e interferências,rompendo bruscamente com os tradicionais modelos,mitos e os últimos vestigios da
sua tão polémica,boémia e academica Época Romântica,1997-2002.
Barcelona,foi desde 2002 o principio do seu Stand By necessário,o seu periodo de reflexão,consagração no país vizinho,um progresso mais que evidente a nivel de maturidade pessoal e um acumular de experiências,
tudo isto inevitàvelmente culminando numa transformação absolutamente
metamorfósica e justamente,como não podia deixar de ser,absolutamente
drástica no domínio das artes plásticas.
A Nova Era - The NEW ERA, António Pessoa - é precisamente a prova inegável de uma nova tomada de consciência plástica,de intuição cromática e de expressionismo conceptual inovador.
Longe estão os tempos de Atlantis,Vigo e Porto,discotecas,pubs,noites
de boémia e aventuras mas acima de tudo longe estão os tempos em
que António Pessoa ainda vibrava e brindava com os velhos mestres do século vinte,nomeadamente Francis Bacon,Vieira da Silva,Matisse,Picasso
, Dalí,Kandinsky...para não mencionar as desventuradas influências da
retrogada pintura galega.
António Pessoa,despe os trajes das velhas e obsoletas vanguardas e
renasce frescamente exorcisado como se de um novo personagem se
tratasse.
Amaldiçoado por uns e admirado por muitos,o certo é que o artista português promete um futuro artistico,humano,profissional como aliás era
de esperar.
Mais que contemporâneo,António Pessoa dá claramente a entender que as
suas ambições plásticas vão muito mais além do "Fashion",na verdade o
artista decide sem avisar dar um grande salto em matéria de invenção plástica
passando do Neo para o Plus.
Eu,pessoalmente ainda que não surpreendido,pois outra coisa do homem não
se podia esperar,devo no entanto reconhecer- na mesma e precisa medida em que muitos jovens criticos de arte já isto têem como dado adquirido e facto
consumado - que António Pessoa mais do que Veni,Vidi,Vici... ultrapassou-se a
si mesmo com a coragem a que já nos tem habituados e como um dos grandes
portuguêses de sempre!
Luis Santiago
Barcelona, 7/3/2007
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