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ANTONIO PESSOA GALLERY
90`s

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  Antonio Pessoa Art Gallery

 
 

De todos os modos e curiosamente,esta peculiar reserva em relação às galerias de arte,tem sido desde muito cedo no percurso artistico e profissional de António Pessoa,não de maneira nenhuma um contencioso
ou coisa que o valha,mas sim uma opção,ou melhor dizendo, uma reacção natural e espontânea,por um lado devido à típica lentidão e falta de dinamismo de muitissimas galerias de arte,contudo entendemos que
o que mais tem contribuido para este facto deve-se essencialmente à
verdadeira natureza do artista encaminhando-o desde a sua adolescência
para um modelo,digamos,talvez mais autónomo de gerir a sua carreira e consequentemente a sua vida privada e pessoal.
   Segundo os inúmeros apontamentos biográficos de Mr.Jacob Kotsky
na elaboração do livro About Antonio Pessoa,é sabido que remontando aos seus tempos de Amsterdão,ainda com apenas dezasete anos de idade,o jovem artista já demonstrava os primeiros sintomas da sua
intuitiva apetência por trabalhar com intermediários,desta forma,digo eu,talvez sendo afinal de contas uma certa vantagem na medida em que este modus operandi seguramente lhe permitia usufruir de mais espaço anímico vital e tempo real para assim ir paulatinamente desenvolvendo a
técnica e o aprumo da sua já promissora coerência criativa.
   Primeiro,Gerard Meerman toma nas suas mãos a gestão comercial das
primeiras obras de António Pessoa na Holanda,estamos a falar do inicio dos anos oitenta.Mais tarde Peter van Dijk interessa-se pela divulgação e venda dos trabalhos do artista português,neste caso não tanto por uma questão meramente económica mas essencialmente por motivos de cumplicidade legitima como se veio a revelar.O mesmo já não se pode dizer do americano Lee Roberts que escassos anos mais tarde viu na
obra de Pessoa uma boa oportunidade de realizar dinheiro facilmente.
   Seja como for,o interessante desta análise é efectivamente concluirmos que desde uma tenra idade,António Pessoa parece ter encontrado neste modelo de trabalho de equipa a velocidade de acção
justamente adequada ao seu ritmo de produção e temperamento.
   Este quase desinteresse e até indiferença por trabalhar com galerias de arte veio dez anos mais tarde a tomar proporções bastante mais acentuadas quando em finais dos anos oitenta e principio dos noventa,
António Pessoa pelas mãos de Ana Ferreira Mendes começa a expôr em hoteis e casinos até à altura em que conhece Alfredo Moreira,aquele que
viria a ser seu Marchante durante quase toda a última década do outro milénio.
   Mais tarde,já residindo em Vigo,com Vicente Fernández Lago dá-se o mesmo fenómeno de  Déjà Vu,tornando-se até aos dias de hoje o administrador da obra de António Pessoa em Portugal e norte de Espanha.
   Apesar do facto de tanto Alfredo Moreira,então director da galeria Almacem na cidade do Porto como Vicente Fernández Lago,director e proprietário da galeria Trastevere em Vigo,possuirem estes espaços,
efectivamente galerias de arte,a forma como sempre trabalharam com António Pessoa obedecia a um quase modelo de exclusividade,chegando
Vicente Fernández mesmo ao ponto de ter Pessoa representado como Artista Único.
   Com a posta em prática e em cena do Ciclo Zodiaco,já no novo milénio,
atingindo o seu nivel máximo em Barcelona 2004 com mais de um milhar de clientes,António Pessoa conquista de uma forma absoluta a sua
autonomia e total independência,naturalmente acentuando de um modo
mais radical a sua falta de motivação directa em ajustar a sua carreira às agendas frenéticas e superlotadas das galerias de arte espalhadas pelos cinco continentes.
   Resumindo não restam contrapartidas de que o contraponto da situação tem o seu epicentro em meados dos noventa,quando,efectivamente e
sem a necessidade de complicadas equações matemáticas,António Pessoa recebe de braços abertos as oportunidades que a Divina Providência lhe entregou assim de bandeja e que o artista soube aproveitar obviamente com a capacidade laboral a que nos tem invariavelmente habituados e o talento inegável que,verdade seja dita,em vez de lhe ter subido à cabeça, transformou-se em produção,estudo contínuo e uma especie de humildade que só os grandes homens sabem vestir sem que corram o risco de parecer mediocres arrogantes disfarçados de falsa modéstia.
   António Pessoa,por assim dizer,em meados dos anos noventa sente-se nas suas sete quintas nesta situação de autonomia,na qual pode-se dar ao luxo de dedicar-se de corpo e alma às artes plásticas sem qualquer
tipo de interrupções e contratempos dignos de que sejam suficientemente
relevantes ao ponto de termos que os mencionar.
   Naturalmente que o preço que teve que pagar foi um especial atraso na
consagração de uma certa popularidade e reputação mundial,facto este
no entanto atenuado por uma situação financeira ,diga-se de passagem,muito pouco comum num jovem músico e excelente pianista
recém-chegado ao mundo das artes.
   Nesta situação de autonomia em que tanto Alfredo Moreira do Porto como Vicente Fernández Lago de Vigo tiveram o papel de mecenas,
marchante,relações públicas e administradores da obra,António Pessoa
não deixa o destino ao sabor da vontade dos Deuses e inventa ou adapta
à sua própria maneira um método criativo-laboral,que ele mesmo entitula
Acção Directa Total.
   É pois em plenos anos noventa que o jovem artista usufruindo do consistente e subsistente apoio de dois mecenas que nele sabiamente
apostam,nesta tranquila atmosfera de plena autonomia e num mega-estudio que fica na História como Atlantis;que António Pessoa entra, de
pincel na mão e a tela no cavalete,na mais produtiva odisseia desde os
mestres do Renascimento,Pablo Picasso e mesmo Dali.
   Esta epopeia de versões e invenções plásticas,segundo o método Acção Directa Total,acaba por ser internacionalmente conhecida como
"The Romantic Period" , A Época Romântica,1997-2002.
   António Pessoa,reconhece,sabe e admite que nenhum de todos estes privilégios teriam sido possiveis se tivesse optado por um tipo de mercado,digamos,mais ortodoxo,mais caprichoso,mais lento,pseudo-
intelectual e muito possivelmente o derradeiro golpe de misericórdia na
sua alucinante evolução através do universo Ibérico da arte contemporânea.
 
 
 
 
                 Luis Santiago

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            Alfredo Moreira - Porto . Algarve

 
                        Os Anos Dourados
 
 

   Para todos os efeitos,pensem e digam o que disserem,a grande verdade
é que foi em Portugal e muito particularmente na cidade do Porto que o jovem artista António Pessoa marca o golo da tranquilidade e do dia para a noite passa a regime de pintor profissional.Dito e feito,tiro e queda.
   O artista conhece Alfredo Moreira um art dealer atípico,já que de um verdadeiro gentleman se trata.Durante oito produtivos anos estabelecem uma relação de cumplicidade,amizade e profissional,estimulando e
desenvolvendo uma situação de profuso dinamismo ,quer no âmbito da
produtividade artistica,quer no campo de estratégia comercial propriamente dita.Alfredo Moreira sabe criar,desenvolver e manter uma agenda de clientes por todo o país,enquanto António Pessoa,desde muito cedo começando a fazer justiça à sua reputação de excelente profissional...
entrega-se ao oficio das artes plásticas com unhas e dentes,a um ritmo de fabricação, dizem os entendidos,só comparável a Pablo Picasso.
   E do dia para a noite,o jovem pintor torna-se num campeão de vendas o
que leva Alfredo Moreira a não hesitar,passando a comprar pontualmente toda a sua produção.
   António Pessoa,independentemente do facto de aos vinte e muitos anos
gozar do privilégio de uma situação financeira mais que invejável,progride
a passos largos tanto no dominio técnico como nas possibilidades temáticas,de pura expressão plástica,pensamento e inspiração.
   Estes são os Anos Dourados em que o artista pela primeira vez na vida
tem a certeza de que só há um caminho.Arte!
   Os seus tempos de nómada caprichoso e Dolce Vita mediterrânica iam
ficando nas brumas da memória,para darem lugar a um novo periodo, uma nova maturidade e um estilo de vida radicalmente diferente.
   António Pessoa é agora um homem financeiramente privilegiado e artisticamente estimulado e realizado.Contudo,não por uma questão de humildade gratuita mas sim ,melhor dizendo,por pura consciência filosófica;não se deixa ofuscar pelo brilho do sucesso nem se deixa
ensurdeceder pelo som estridente dos clarins da vitória.
   E a prova disto é sobejamente conhecida,já que ao longo dos anos que se seguem,nem a fama nem a glória,vão exercer qualquer efeito na
sua personalidade e muito menos no seu comportamento,social e
profissional.
   António Pessoa nestes primeiros anos da década de noventa compra um novo apartamento em Vila Nova de Gaia,deduz-se que como simples investimento,já que de seguida muda-se para o Algarve.
   Durante cerca de dois anos,vive,namora,trabalha e deleita-se no seu
espaço favorito de Portugal.Aqui,em Armação de Pêra ,produz as suas
primeiras telas panorâmicas de grande dimensão e de temática essencialmente histórica,exaltando o passado glorioso de Portugal,bem como alguns dramas que a todos nos dizem respeito.
   Desta época pode-se fazer especial alusão e referência à Conquista de Lisboa,Aljubarrota e 1755.
   Alfredo Moreira não se deixando surpreender,já que por então menos do artista sabe que não pode esperar,não deixa contudo de sentir uma crescente admiração por António Pessoa,pela sua prolífera imaginação e
muito particularmente pela sua quase sobrehumana capacidade laboral.
   Os ares e a vida do Algarve,como sempre aliás,são de um modo geral,
benéficos para o artista,contribuindo enormemente para um perfeito estado anímico como também para uma excelente condição fisica.
   A sua relação com Armanda Lamy,algarvia de gema e tradição,dá-lhe
o equilibrio necessário para que se sinta no seu absoluto elemento.
   Viajam à noite por todo o Algarve e ao fim de semana são frequentes umas escapadelas a Sevilla,Vila Nova de mil Fontes,Évora e até Lisboa.
   No entanto,apesar do panorama idilico e ideal e como não há Bela sem senão,a relação entre os dois começa a deteriorar-se à medida que Armanda Lamy parece dar sinais de pretender muitissimo mais do que a
Arte de Bem Namoriscar em Toda a Sela!
   António Pessoa,já pai de dois filhos e divorciado,não se sente à altura de semelhante compromisso.Ele e Armanda Lamy já levam um ano juntos
e para o artista,tal como tudo o que é bom acaba,parece-lhe que a situação chegou a um grau de tensão insustentável.
  Começam as suas viajens cada vez mais frequentes ao Porto até ao dia em que decide ficar.
   Infeliz com a forma como tudo terminou,o artista entrega-se freneticamente ao trabalho,criando nesse ano em que de regresso volta a viver na cidade Invicta,um impressionante desfile de óleos sobre tela,acrilicos e aguarelas.Porém o Porto irremediavelmente entristece-o,
provoca-lhe essa indomável e inexplicável sensação de nostalgia e penumbra emocional.
   De passagem por Vila Nova de Cerveira com o seu filho que aí estudava,resolve dar uma vista de olhos mais além do rio Minho.Galiza.
   Vigo!!!
   E aqui,em meados dos anos noventa,mais precisamente em 1996,dá-se
o inicio da sua mundialmente conhecida Época Romântica e igualmente o
inicio propriamente dito da sua brilhante carreira no país vizinho.
   Contudo,de minha justiça digo eu,não convém nem podemos esquecer de que foi no Porto,Portugal,onde  António Pessoa,pelas mãos de Alfredo Moreira,obteve a sua primeira grande oportunidade,a qual,e a César o que é de César,o artista soube aproveitar com o brio,entusiasmo,
honestidade e capacidade de trabalho que são,por assim dizer,as caracteristicas da sua marca!
  
  
   
 
                             Anabela Tavares
 
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     Expo . Hotel Le Meridien
 
 

   António Pessoa regressa ao Porto en finais dos anos 80 para se reencontrar com um animado turbilhão de amigos e predestinado a conhecer outros tantos.
   Comodamente instalado no seu espaçoso T4 ,apetrechado com o excelente piano de marca Pleyel ,uma prenda vitalicia da sua avó paterna,
encontra igualmente neste apartamento os metros quadrados mais que imprescindiveis para retomar a actividade plástica.
   Em contraste com La Vída Loca do sul de Espanha,a cidade do Porto parece-lhe envolta num manto de nostálgica melancolia.A sua adaptação a este ambiente ao principio parece-lhe rigorosamente impossivel,contudo os amigos de colégio e os novos com quem vai estabelecer relação,
acabam por fazer peso na sua decisão de ficar por algum tempo.
   Mãos ao trabalho e em escassos meses o atelier da cidade Invicta já dá
sinais de intensa actividade e mais importante sinais efectivamente palpáveis de prolífera produção artística.António Pessoa imediatamente
despacha os seus piores trabalhos vendendo-os aos prestigiosos leiloeiros de Mouzinho da Silveira e a um marchante de Fonte da Moura
que avidamente compra tudo o que o artista lhe disponibiliza.
   No entanto as suas obras primas vão sendo meticulosamente seleccionadas e armazenadas para eventos de,digamos,mais prestigio.
   António Pessoa conhece por fim Ana Ferreira Mendes,então sub-directora de informação da RTP Porto,com quem passa a viver em regime semi-matrimonial.Ana Mendes interessa-se não só pelo artista como pela sua arte.Prepara-lhe uma serie de exposições,nomeadamente no casino de Espinho,galeria das caves Sandman,casino da Póvoa e finalmente a
apoteose desse programa tendo lugar no Hotel Le Meridien.
   Para grande surpresa do artista,aliciante surpresa,imagino,metade das obras expostas foram vendidas na noite da inauguração.Ana Ferreira Mendes,devido à sua posição no seio da RTP Porto,tinha feito questão de
preparar uma razoável cobertura mediática,convidando os seus mais proeminentes amigos da alta esfera portuense;e como amigos dos nossos amigos nossos amigos são,a Vernissage acabou por ser um desfile de alta costura,má lingua,beijinhos e palmadinhas no ombro,um
patatipatatá que se prolongou pela noite dentro,mas que sem tirar nem pôr acabou por mostrar ao jovem António Pessoa que nem tudo o que reluz é ouro e que a sua Obra era altamente aplaudida na sua cidade Natal.
   Mas apesar de tudo e do grande êxito então,ainda não foi dessa que o
irreverente artista ganhou o gosto pelas ruidosas vernissages.De facto os
próximos anos vão corroborar esta afirmação na medida exacta em que António Pessoa muito raras são as vezes em que efectivamente comparece às inaugurações,quer porque se encontre num outro lugar e num outro fuso horário,quer simplesmente porque tanto quanto se sabe,
sustenta a opinião de que a Obra fala por si e a presença obrigatória e protocolar de quem a deu à luz é justamente uma situação supérflua e
até de inspiração exibicionista,logo perdoável.
   Esta exposição não tendo sido necessariamente o despoletar de um entusiasmo latente,terá sido segundo a lei das probabilidades um binóculo de alta precisão,mostrando uma perspectiva de futuro artistico profissional,o qual como hoje sabemos de facto acabou por se concretizar.
   E para,enfim,comprovar a minha tese,verificamos que nos anos que se
seguiriam,artista António Pessoa gradualmente vai moldeando a sua forma de viver no formato atípico que lhe é peculiar.A sua carreira desenvolve-se com soltura,sorte,organização mas também inevitàvelmente apoiada por uma razoável habilidade de liderança,porém
curiosamente contrastada por um paralela postura de descompromisso,
como que salvaguardando  uma integridade interior,uma forma de viver e
gestionar o espaço e o tempo,como só os soberanos do Renascimento sabiam fazer.
   Apesar de que a sua conversão a tripeiro de gema nunca se tenha por
assim dizer concretizado,António Pessoa efectivamente e para sempre fica a dever à cidade que o viu nascer,o grande arranque profissional,bem como um status financeiro muitissimo acima do que se poderia esperar
para um jovem artista récem-chegado ao mercado e ao mundo da Arte.
   E resumindo e concluindo,a exposição no Hotel Le Meridien fica como um marco histórico na vida e Obra de António Pessoa,talvez a fronteira entre o irresponsável,delicioso mundo de aventuras e o pensamento plástico erudito,desenvolvimento técnico,relação artista - temática,levado ao expoente máximo da Arte por excelência!
  
   
 
 
                        
                    Anabela Tavares