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ANTONIO PESSOA GALLERY BEST OF
Ladies Night
António Pessoa - 2000
Uma vez mais,António Pessoa resolve dar um ar da sua graça e muito em particular das loucas noites de Vigo.
A Época Romántica reflecte a vivência urbana de uma cidade em pleno apogeu da "Movida" espanhola onde tabus e preconceitos são minimizados
por uma nova mentalidade da juventude de Espanha.
Escusado será dizer que a Época Romântica não deve o nome que tem por simple acaso.Efectivamente António Pessoa durante estes cinco anos pinta
durante as tardes e à noite perde-se no turbilhão de boémia,bares e discotecas e inserido num amplo circulo de amigos dentro do qual a bisexualidade é encarada como a coisa mais natural do mundo.
Pode-se afirmar que António Pessoa entre 1997 e 2002,pinta de Vigo para o Mundo,emocionalmente inspirado e estimulado por uma cidade que nunca dorme e onde o artista facilmente encontra a melhor alternativa à cidade do Porto já por então começando a dar tristes sinais de apatia,facto que infelizmente se foi agravando até aos dias de hoje.
Neste esplêndido Ladies Night,acrilico sobre tela de 1999,António Pessoa projecta uma visão moderada de puro lesbianismo.Uma obra que decididamente não pretende provocar mas sim atenuar e muito particularmente defender o direito à diferença.
António Pessoa prova que é possivel abordar todos os temas sem cair na vulgaridade obscena,pelo contrário elevar esta e cada temática a um expoente de máximo requinte,elegância e estética graciosa.
É com esta atitude blasé e jovial,que afinal de contas toda a feliz Época Romántica se desenvolve,pelas mãos e Know How de um artista absolutamente afinado na sua conduta de comunicação através da arte e muito particularmente
com a sempre presente noção de servir o público sem o ferir!
Veronica Amaral
In the Night
António Pessoa - 1999
Em plena Época Romântica,já com um nome implantado na Galiza e com um mercado de braços abertos para a sua obra na vizinha Espanha,António Pessoa em 1999,produzindo mais do que nunca em toda a sua vida,sente que pode dar-se ao luxo de regressar a um tipo de expressão plástica bastante mais Pop Art e eventualmente optando por padrões de certo minimalismo e construtivismo conceptual,tudo isto naturalmente fora do âmbito do conceito visual plástico do público galego.
É por esta altura que Prof.Eduardo Calvet de Magalhães,um dos fundadores da Árvore na cidade do Porto,começa a interessar-se profundamente tanto pela obra do artista como pelo original e irreverente personagem.Igualmente em 1999,Vicente Fernández Lago dedica toda a sua galeria de arte de dois andares na cidade de Vigo única e exclusivamente à pintura de Pessoa.Também em meados de 1999,Jacob
Kotsky dá inicio aos seus apontamentos biográficos sobre a vida e obra do artista.Kotsky,por motivos familiares,designadamente a morte de sua
esposa num violento acidente de viação em Los Angeles e da tentativa de suicidio de seu filho,resolve retirar-se para as ilhas Canarias onde ainda reside actualmente.
Também no ano de 1999,depois de uma visita de estudo a Londres na companhia de Prof.Eduardo Calvet de Magalhães,começa a fazer continuas viagens a Barcelona e Sitges,muito possivelmente já idealizando um novo espaço vital para um futuro muito próximo,como aliás se veio a verificar.
"In the Night" um dos quadros talvez mais emblemáticos do principio de uma rotura com a pintura galega,pode também ser avaliado como um dos primeiros sintomas de um profundo e latente desejo de mudança.
E assim foi de facto!
Veronica Amaral
Todo lo que imaginas es poco
António Pessoa . 1998
"Todo lo que imaginas es poco",cujo título penso que dispensa tradução,é talvez o paradigma de uma fusão de estilos e modelos que
no ano de 1998 de alguma forma inundavam a noção conceptual de um artista subconscientemente tentando organizar todo um leque de influências num só Todo.
António Pessoa a partir de 1997,altura em que deixa a cidade do Porto para se instalar em Vigo,é violentamente confrontado com a pintura galega que lhe parece não só pueril como tematicamente centrada numa cultura a qual não parece oferecer muitas portas abertas para novas invenções e de um público pouco receptivo aquilo que por então se poderia entender por Últimas Tendências ou muito simplesmente arte contemporânea.
Apesar de tudo,como é sabido,o artista luso en terras galegas ao longo dos anos que se seguem consegue de uma forma notável projectar sobre
tela uma nova visão da Plástica Gallega,o que lhe concede com relativa facilidade uma entrada sem grandes obstáculos no mercado do norte
de Espanha.
No entanto este artista português na Galiza sabe de antemão que o seu futuro de pensamento artistico e criativo vai ter mais tarde ou mais cedo que abrir asas e voar rumo a outros hemisférios de comunicação plástica.
E é precisamente nesta dimensão de discernimento,que António Pessoa opta sabiamente por conservar as suas reservas de modelo e inspiração,não só intactas como também,justamente,em plena evolução.
Apesar do panorama geral da arte na Galiza,António Pessoa sustenta uma genuina admiração por alguns Mestres galegos,como Jaime Quessada,Rafael Alonso,Laxeiro,Vidal Souto e até Pepe Barreiro.
Não obstante os seus planos para o presente e para o futuro englobam forçosamente outros valores de expressão plástica,tanto dos Mestres
das primeiras vanguardas do século vinte,como Matisse,MarcChagall,GeorgesBraque,Tanguy,Picasso,Juan Gris,Kandinsky,Paul Cadmus e Miró;como inevitavelmente e sempre Maria Helena Vieira da Silva,Andy Warhol,Francis Bacon,Frank Stella,Jackson Pollock,Fernando Botero.
É pois nesta atmosfera macroclimática de modelos e influências que se vai desenvolver toda a Época Romântica,até 2002,ano em que Pessoa se instala em Barcelona para uma nova aventura artistica,social,emocional
e decididamente internacional.
Luis Santiago
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